quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Minha alma poesia...
sábado, 17 de outubro de 2009
Contos perdidos...
Quando deu por si estava dormindo recostada nos ombros que havia pouco renegara com veemência. Sorriu. “Estou perdida”, pensou. “Agora não tem volta”. E voltou a cochilar, apertando as próprias mãos contra os joelhos para que elas não o tocassem. Seu nariz, junto ao pescoço dele, inalava seu aroma envolvente e lhe devolvia um bafo quente, quase um sussurro, quase uma prece. E se deu conta de que poderia passar a vida inteira assim, sentindo a paz que lhe abraçara. E odiou-se por isso.
Enquanto o sono não vinha, tentou explicar o porquê de tudo aquilo. Ela não sabia. Seria por causa do comentário feito sobre seu colo farto, o perfume que gostava tanto, o álcool ingerido na festa, ou talvez por estarem em festa e nessas horas todo mundo esquece as dores que carrega... Não. Não era isso. Eram aqueles olhos negros, redondos e brilhantes caindo sobre ela mais uma vez. Aquele olhar que a despe, que a vê como ninguém mais.
No meio de sonhos e tormentas acordou assustada. Sobre a luz da madrugada o viu dormindo na paz dos anjos. “Não vou permitir que isso me aconteça. Não agora”. E recusou-se a olhá-lo nos olhos mais uma vez.
(...) Era noite e ela não dormia... O pensamento vagava entre a ânsia e o desespero. “Lá vamos nós outra vez”, pensou olhando o teto que refletia o azul das paredes. Dividiam a mesma cama: ela e aquele par de olhos castanhos, pequenos e altivos. O beijo de boa-noite foi na testa, símbolo da amizade que traziam fortemente. O titulo de ‘amiga’, que por vezes a avassalava, deixava claro que sua condição de fêmea não importava ali. E tudo bem porque, definitivamente, não era essa a intenção. “Você ainda não dormiu”, disse ele. “Não tô conseguindo”, ela respondeu. “Então vamos ver um filme, quem sabe você não pega no sono...” E foram. Estavam agora mais próximos e o silencio era incômodo. Finalmente achegaram-se para dormir e ao abraçá-la o telefone tocou. “PQP!”, pensou ela. Depois disso viraram de costas um pro outro e dormiram. Pelo menos ele dormiu. Ela cochilou pouco, rolou de um lado para outro a noite toda. Em alguns momentos ele acordava e dizia preocupado: “você não dormiu nada...” e ela segurava a mão dele pedindo que não se preocupasse. Mas seu pensamento estava longe... Cada vez que tentava dormir vinha a imagem daqueles olhos negros a olhá-la. Quando cansou de esperar pelo sono levantou-se, lavou o rosto, escovou os dentes e disse para si mesma: “isso não está certo”. E desistiu. Fez o café, serviu a mesa. Quando voltou para a cama já era hora de partir. E abraçaram-se. Pareciam horas, mas foi só por alguns segundos... E tchau.
Ela fechou rápida a porta atrás de si. “Ai meu Deus.” disse.
(...) A casa estava cheia. As risadas altas, a cumplicidade entre os amigos, o cheiro da refeição. Faltava algo. Faltava alguém. A diversão não parou um segundo. As fotos espalhadas da mesa mostravam a lembrança de tudo o que passaram juntos até ali.
A música misturava-se com as gargalhadas e, de repente, a campainha tocou. Silêncio. Ela sabia. Mesmo antes de atender a porta, ela sabia. Havia dois dias, tinha assinado a sua sentença. Quando foi acolhê-lo eles se olharam por um momento. Aqueles olhos. Aquele brilho no olhar. Ela derreteu, não foi capaz de se manter por muito tempo. Ele entendeu e riram, mas não foi um riso qualquer. Tinha um quê de nervoso, de um sentimento que grita - prisioneiro no sótão.
Em instantes a casa estava recoberta pelo perfume forte, envolvente, talvez. E ela era outra pessoa. Seu sorriso mais amplo, seu corpo emanado sensualidade. Assistiram ao filme lado a lado e, por vezes ela sentia aqueles olhos penetrarem sua pele. Um arrepio lhe percorria a espinha só de pensar que...
Despediram-se num abraço curto. Num instante a casa estava vazia. E ela também. Sentiu que precisava limpa-la: a casa e ela própria. E foi o que fez.
Quando enfim deitou em sua cama, cada parte de seu corpo refletia as noites mal dormidas e os dias turbulentos. Retesou-se... “Irei descansar!”. E foi o que fez: afofou o travesseiro e dormiu tranqüila o sono dos justos.
Engraçado.... quanta coincidência. rs!
Beijo a todos.
=)
terça-feira, 29 de setembro de 2009
"Essa noite eu quero ir mais além..."
Meus últimos textos não passaram de desabafos subjetivos e mensagens de "eu vou sobreviver"... A verdade, meu amigo, é que esta teoria, na prática é bem diferente.
A rasteira que a vida me deu este ano me fez repensar muitas coisas. Por outro lado, me abriu portas - e janelas também! - para outras experiências. Foi difícil? Foi. Foi cruel? Como não se esperava... Mas me fez perceber que estava tão vidrada que, há tempos, havia esquecido de mim. E fui descobrir isso tendo um "pequeno colapso". Lendo parece até brincadeira, mas quando recebi os encaminhamentos para neuro e psiquiatria, entendi que havia realmente adoecido. Meu corpo passou a refletir o que minha alma e meu coração gritavam aqui dentro.
Quando consegui me levantar, vesti as sandálias e saí pra rua com os olhos isentos de conceitos. resolvi escancarar meus lábios num sorriso sincero e constante. Numa ânsia insana de felicidade. Claro que tudo começou com as "férias prolongadas" de julho (oba!). Todo o divertimento, os lugares, os brindes (com pingão, lóóógico!) e pessoas dispostas a me fazer esquecer que existe maldade no mundo.
Nesse meio tempo, corri atrás do prejuízo no âmbito profissional. (Sim, estou falando do Teatro). Busquei parcerias e me arrisquei em vôos mais altos... Ainda é cedo pra contar, são só projetos. Bons projetos, por sinal. E isso, tem sido o reforço positivo que eu tanto pedi.
Tomei decisões precipitadas, quiz largar tudo e me mandar. Voltei atrás, finquei meus pés no chão (Não é assim que as coisas funcionam, né?). Mudei de idéia graças à união da minha família que, sem duvida nenhuma, é meu apogeu...
Ainda assim, a sensação de partida me consome, como se já estivesse com as malas prontas mas ainda não tivesse comprado as passagens.
Então é isso. Escrevi este monte de blá, blá, blá pra mostrar que eu tô viva, que eu tô aqui!
E como sempre termino meus posts em música ou em poesia (Ah! Mais clichês! rsrs...), aí vão duas pra mostrar como estão as coisas por aqui:
Meu maior carinho a quem dedica um tempinho pra ler minhas singelas baboseiras,
Juli ♥
Nota:
Essa noite quero ir mais alem - Ana Carolina
Apesar de Você - Chico Buarque
Sábado à Noite - Cidade Negra
sábado, 4 de julho de 2009
Madrugada de Desejos...
- Como sabes que eu não me conformo?
- Vê-se nos teus olhos. Às vezes eles brilham como se houvesse dentro de ti uma madrugada de desejos. depois, a luz murcha-se como um pôr-do-sol.
- Proíbo-te de olhar meus olhos.
- Tens razão. Não é justo que meu rosto reflita em tuas pupilas.
Esse é um trecho da peça que estamos ensaiando no Conservatorio: "A Raposa e as Uvas", de Guilherme Figueiredo. Essa cena, um diálogo entre Esopo e Cléia (minha personagem), desperta em mim uma sensação saudosista, quase lírica... A peça fala sobre a liberdade - a busca pela liberdade. E quando estudo as cenas em que Cléia apaixona-se por Esopo - que de tão feio, bonito se faz - me pergunto: "O que é o amor senão a liberdade mais plena?"
Tenho dormido muito por esses dias.... Não por vontade própria, visto que gostaria muito de aproveitar as férias de outro modo. Mas tenho estado tão stressada, chego em casa o "bagaço da laranja".... Sem cabeça pra pensar em personagens, textos a serem escritos, estagio para entregar, vida para viver, enfim.... sem cabeça para pensar em mim!
Tenho muitas palavras não-ditas e engasgadas. Desejo de mudança. Ânsia por respostas. Ímpeto de partida....
Mas tudo que fica, são algumas imagens gravadas em preto e branco no coração da minha memória.... Porque o que foi está tão longe, que parece que nem fez parte do que eu sou.
E chega desse papo-furado. Quando começo a escrever de madrugada, só sai bobagens e palavras jogadas, num sentido subentendido e subterfúgio.
Com todo meu afeto... ♥
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Ironias do Destino...
Trabalho para a aula de Roteiro que deverá ser entregue no próximo sábado: elaborar uma Sinopse de uma historia de amor.
Observação importante: deverá ter "final feliz".
"É mais fácil amar de novo, do que olhar para trás... "
Dorme com um barulho desses!!!!
Fála sério, ninguém merece!
"O choro que vem caindo
Devagar vai se sumindo
Como as águas vão pro mar"
Nota:
* A ironia consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos.
* Destino diz respeito a ordem natural estabelecida do universo. Geralmente é concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos provocados ou desconhecidos. O destino é muito usado para tentar explicar o absurdo dos acontecimentos existenciais .
* Musicas: Cuide Bem Do Seu Amor - Os Paralamas Do Sucesso, Olhar para trás - Jair Bloch e Tristeza do Jeca - Almir Sater.
E eu vou nessa, porque amanhã é dia de pular cedo!!
Beijos, muitos...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Tudo novo... de novo!!
Há meses deixei este blog às moscas. Meu cérebro fervilhava com textos e idéias, mas todas as vezes que me sentei à frente do micro, a inspiração foi por água abaixo.... Aliás, ultimamente tenho abominado a internet. Peguei uma "alergia" desse troço, que nem te conto! rs...
Nestes três meses de palavras ausentes, eu pensei. Refleti como nunca: valores, perspectivas, dores, sorrisos. Tudo o que havia dentro de mim foi pesado e, confesso, o resultado não me agradou muito.
Visto isso, tomei a difícil decisão de dar às costas ao meu coração e seguir caminho. Sempre disse que não tenho paciência pra sentar no banco da praça e esperar. Esse tempo acabou. Dói. E a dor é lancinante. Mas, convenhamos, não dava mais pra viver daquele jeito. Porque pra mim relacionamentos - família, amigos, amores, Deus... - é sinônimo de troca, de reciprocidade. Quando você oferece muito mais do que recebe, meu amigo, significa que seu relacionamento - seja ele qual for - está em desequilíbrio...
Dia desses, levei uma bolada nas costas tão feroz que até perdi o rumo.... Como tudo na vida é aprendizado, aprendi que castelos ruem. À duras penas, vi que quem eu achava que estava do meu lado, na verdade, talvez nunca esteve. Naquele dia acordei pra tantas coisas.... Vi o quanto estive errada em tomar certas decisões, fazer certas loucuras....
Passei meses tentando dar ao meu coração o alívio que ele merece. Isso que aconteceu, de certa forma contribuiu para que eu conseguisse. Foi horrível, eu chorei pacas, achei que não fosse suportar a ideia, disse isso inclusive. Mas o tempo cura todas as feridas - mais um dos meus clichês! - e esta tá fechando. Num momento de desabafo no arquivo do escritório, semana passada, me mandaram a seguinte pergunta: "Vale a pena tudo isso?" E eu vi que não. Depois encontrei no fundo da minha bolsa o rascunho deste relato, dentre outros... Resolvi que estava na hora de sair dessa redoma. Eu não sou assim, sou durona, engraçada, rodeada de pessoas sempre. Chega deste choro contido, desse amor reprimido, dessa vontade de dar no pé....
Como disse no começo, esse ano se tornou um mar de possibilidades pra mim. Agarrei algumas, tô esperando o resultado. Bom ou ruim, o importante é que eu tentei. E que certas tentativas, velem realmente a pena.
Quanto à "razão do meu afeto"... esse sonho eu guardei no bolso. Porque 2 anos é tempo suficiente pra eu saber que sempre vou esperar por algo que não vai acontecer. Sabe? E o melhor disso tudo: houve entendimento. Entendi que a ausência de lágrimas na última semana é sinal de que era sofrimento demais pra algo que nem sei se me faria assim tão feliz quanto penso. Dou graças à Deus porque tenho me mantido em pé, com o coração partido, mas com a cabeça erguida. E por Ele ter posto em meu caminho pessoas - bem poucas, por sinal - que seguraram minha mão em silencio e me permitiram chorar e rir... E com esses pequenos gestos eu tenho seguido em frente. Noutro dia vi num filme uma personagem dizendo que o sofrimento traz maturidade. Pois é, cresci!
Ai!!! Tava com uma saudade danada deste espaço. De tirar a máscara, ser eu mesma e desabafar...
Meu maior carinho a todos...
Juliana ♥
"Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você..."
(Pra rua me levar - Ana Carolina)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Pés na estrada....
Bora pra praia!!!!!
Rascunhei um post contando das ultimas.... "Noites de Estreia". Ele tá no forno ainda. Na volta da praia eu dou os últimos retoques e posto aqui.
Enquanto isso, tratem de serem felizes! Seja como for, que seja consciente de que ser feliz, implica em fazer outras pessoas felizes...
Meu maior sorriso e desejos de um ótimo feriadão!!!
Bjs,
♥